Nossa história

O Hospital Adventista do Pênfigo está em Campo Grande há 58 anos e apesar de ser conhecido internacionalmente; muitas pessoas não sabem o porquê deste nome. Segundo dermatologistas do próprio hospital, Pênfigo é uma moléstia caracterizada essencialmente pelo aparecimento de bolhas no tórax, rosto e couro cabeludo, e depois em todo o corpo, e que evolui para um estado em que predomina descamação generalizada, se não for convenientemente tratada. Esta doença é vulgarmente conhecida como “Fogo Selvagem”.

A origem do hospital é resultado de um amor muito forte e uma vontade incessante de contribuir para o bem estar do próximo. Tudo começou em 1947, quando o pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Alfredo Barbosa de Souza, vendo sua esposa Áurea de Souza, sofrer com a doença Pênfigo Foliáceo, cuja cura ainda era desconhecida, resolve buscar ajuda em diversos hospitais do Brasil e fora do País também.

Internada em um hospital em São Paulo, Áurea piorava a cada dia, enquanto Barbosa acreditava que Deus lhe mostraria a cura. Em uma de suas passagens por Campo Grande encontrou com um casal e notou que a mulher tinha uma cor diferente, curioso, foi perguntar do que se tratava. A senhora lhe responde prontamente que possuía Fogo Selvagem, mas que estava obtendo sucesso no tratamento graças aos préstimos de um “curandeiro”, que morava em Sidrolândia, cidade vizinha.

O nome do detentor da “fórmula mágica” era Isidoro Jamar, um farmacêutico argentino, frustrado por não poder exercer a medicina, acabara os seus dias na bebida. Barbosa visita Jamar e compra o remédio. Bastou um simples concentrado a base de piche e fortificante para que Áurea voltasse a ter uma nova pele e disposição para lutar pela vida. De volta a Campo Grande, Pr. Barbosa se hospeda na casa da família Baís. Na cidade encontra uma menina chamada Corina, que também estava com “Fogo Selvagem”. Barbosa explica a ela que havia cura para a doença e que o detentor da fórmula morava em Sidrolândia. A menina era sozinha e não tinha como ir até o outro município, então Barbosa vai a Sidrolândia, consegue a fórmula e inicia o tratamento em um terreno emprestado pela família Baís.

Este terreno era localizado próximo ao centro de Campo Grande. Foto tirada em 1954 Entrada do "Hospital Matogrossense do Pênfigo" Outros doentes começam a chegar, mas a Secretaria Municipal de Saúde, temendo que a doença fosse contagiosa, não permitiu que o tratamento fosse realizado no centro da cidade, e aconselhou que o pastor e os pacientes procurassem um local afastado. Posteriormente foi demonstrado que a enfermidade não é contagiosa.

A notícia da cura se espalha


A notícia de que os adventistas estavam curando o fogo selvagem se espalha e outros doentes começam a vir atrás de tratamento. Em 1949, o casal, Bernardo e Ida Baís doa à missão adventista cerca de quarenta hectares de sua fazenda, que ficava 15 quilômetros fora do centro de Campo Grande. À época a missão era presidida pelo pastor Durval Stockler de Lima. Um hospital, com instalações ainda rudimentares, começa a funcionar.

Palhoças de madeiras constituíam leitos improvisados para o tratamento da doença. Os adventistas começam a cuidar dos pacientes, mas não sabiam como fazer o remédio. O sr. Isidoro estava muito doente devido ao alcoolismo, mas não queria fornecer a fórmula, pois tinha a esperança de melhorar e trabalhar conjuntamente com os adventistas no tratamento dos enfermos. Isidoro estava doente de tuberculose em fase terminal e antes de morrer forneceu a fórmula aos adventistas, para que esses curassem outras vidas, já que ele estava perto da morte.

Em novembro de 1952 chega o primeiro médico do Hospital, Dr. Edgar Bentes Rodrigues, sendo construído o primeiro prédio, com 25 leitos, onde atualmente está localizado o laboratório de análises clínicas. Mas já antes da inauguração havia mais pacientes que sua capacidade de acomodação. Dez anos depois, o Hospital Mato-grossense do Pênfigo pôde registrar o tratamento de 478 casos de Fogo Selvagem. Desses, 167 foram declarados curados, 108 tiveram a doença estagnada, e apenas 13 casos de morte foram registrados.

Estes são os primórdios do HAP


No ano de 1960, com a chegada do Dr. Günter Hans, o tratamento é atualizado (corticoterapia), conforme os últimos conhecimentos da época, que indicavam ser o Pênfigo foliáceo uma doença anto-imune. Com a ajuda de entidades filantrópicas internacionais, e sob a direção firme do Dr. Günter Hans foi construído um novo Hospital com capacidade para 60 leitos, sendo 4 apartamentos, inaugurado em 18/12/1966. Nos próximos anos passou a haver um declínio no número de pacientes, que naquela época vinham em sua maioria da região de Cáceres, atual Mato Grosso. A partir de 1975 pensou-se na ampliação do HAP para um Hospital Geral, sendo construída inicialmente uma nova ala com 16 apartamentos e um novo Centro Cirúrgico, na parte frontal do Hospital, próximo a Rodovia para Sidrolândia.

A inauguração deste novo conjunto ocorreu em 20 de maio de 1982. A partir daí o HAP abriu suas portas ao atendimento de pacientes de Clínica Geral e Cirurgia. A estrutura física da instituição passou por várias modificações adicionais, até chegar às atuais instalações. No primeiro edifício, onde só havia leitos para o atendimento de penfigosos, foi deixada uma ala para o atual Centro de Vida Saudável (ver abaixo) e uma outra ala onde continua o atendimento de pacientes dermatológicos, primordialmente Pênfigo Foliáceo. Ressalte-se que estes pacientes portadores de Pênfigo foliáceo (e somente estes) são atendidos filantropicamente, sem custos.

O setor de Dermatologia atende pacientes portadores de doenças na pele, anexos e unhas, tanto na área clínica como cirúrgica. Também existem especialistas aptos para fazerem tratamentos estéticos. Na ala hospitalar, com enfermarias e apartamento (com mais um apartamento em construção) são internados principalmente pacientes com diagnóstico firmado de Pênfigo foliáceo, estes de forma gratuita.

Para solicitar atendimento assistencial (gratuito), os pacientes e/ou familiares devem encaminhar o resultado da biópsia de pele confirmatório de Pênfigo foliáceo (ou laudo de dermatologista). Os pedidos são recebidos e encaminhados ao Dermatologista responsável.

Havendo vaga disponível a consulta é autorizada. Para agendar a consulta, ligar para (67) 3323-2018. Em caso de internação, o paciente de Pênfigo foliáceo permanece no hospital por cerca de 30 dias, e neste período recebe os cuidados da enfermagem, visitas médicas, acompanhamento nutricional, do Serviço Social e da Capelania.

O que é Pênfigo Foliáceo?


O Pênfigo Foliáceo é uma doença auto - imune, caracterizada essencialmente pelo apa-recimento de bolhas, que ao dessecarem descamam - se como folhas (donde origina - se o nome Foliáceo), bolhas essas que ocorrem principalmente nas áreas expostas ao sol como rosto, tórax, e membros superiores, e eventualmente no couro cabeludo, podendo em alguns casos, depois, evoluir para todo o corpo e num estado em que predominam crostas e descamação generalizada, se não for convenientemente tratada.

É uma doença que pode ocorrer em todo o mundo na sua forma não endêmica (chamada de Pênfigo de Cazenave), mas tem a peculiaridade de ocorrer de forma endêmica em uma série de áreas da região centro-norte da América do Sul (onde recebeu o nome popular de Fogo Selvagem). Outro aspecto interessante de sua epidemiologia é o deslocamento de seus focos principais, na maioria dos casos, em áreas que estão sendo colonizadas recentemente e onde, consequentemente, há derrubada de mata, ou a manutenção de alguns focos em áreas ribeirinhas de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul entre outros estados. Por outro lado, verifica-se a gradual diminuição de sua incidência nas regiões em que este processo ocorreu há mais tempo.

O Pênfigo Foliáceo acomete quase que exclusivamente habitantes da área rural e tem praticamente a mesma distribuição entre homens e mulheres. É mais freqüente em adultos jovens, mas pode afetar também as crianças. Sabe-se já há algum tempo, que há um mecanismo imunológico muito especial envolvido na causa do PF, ou seja, o organismo doente produz anticorpos que atuam ao nível da substancia existente entre as células da camada córnea da epiderme (camada mais superficial da pele), levando à perda da união entre elas e constituindo o mecanismo fisiopatológico da formação das bolhas.

Conhecem-se hoje muitas moléstias em que há esta formação de anticorpos prejudiciais aos próprios órgãos do doente, chamadas doenças auto-imunes, como por exemplo, a febre reumática e o Lupus Eritematoso. No caso do PF, o motivo da formação desses anticorpos constitui, ainda, um mistério que, para o qual existem várias hipóteses. Uma das hipóteses é que esta reação auto-imune seja desencadeada por substâncias existentes da saliva dos mosquitos da família dos simulídeos ou borrachudos, e que o contato do sistema imunológico do organismo com estas substâncias veiculadas no momento da picadas do inseto, levaria, em algumas pessoas com a condição genética que predisponha à esta reação, depois de algum tempo, à formação de auto-anticorpos, cuja reação na camada córnea da epiderme conduziria à formação de bolhas.

Estas hipóteses vem sendo estudadas e para serem confirmadas estão sendo realizadas pesquisas principalmente nos EUA, com a participação inclusive do Hospital Adven-tista do Pênfigo, através do Grupo Cooperativo de Estudo do Pênfigo Foliáceo. O núcleo central desta iniciativa fica no Departamento de Dermatologia da Escola Médica da Carolina do Norte (EUA) sob a direção do Prof. Luiz Diaz, dermatologista e pesquisador peruano radicado nos EUA, e uma das principais autoridades mundiais de doenças bolhosas. A relação da moléstia com picadas de mosquitos explica a sua ocorrência principal em zonas de derrubadas de matas, ou em regiões ribeirinhas, que é exatamente onde o ser humano mais se expõe.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: de inicio surgem manchas vermelhas nas quais se localizam lesões bolhosas que se rompem facilmente e formando-se subsequentemente crostas, localizadas nas porções centrais do tórax, tanto anterior como posteriormente, nos ombros, pescoço, rosto e couro cabeludo. Nesta fase inicial, chamada “pré-invasiva”, pode ocorrer também descamação no couro cabeludo. Se o paciente não é tratado estas lesões se estendem, geralmente de forma simétrica, em semanas ou meses, para o restante das áreas da pele, constituindo a fase “invasiva” da moléstia.

Mais tarde, se deixada a continuar sua evolução espontânea, manifesta-se a fase “eritrodérmica”, em que as bolhas se tornam cada vez mais raras, sendo substituídas por uma vermelhidão e descamação que podem generalizar-se. Esta ultima etapa pode durar muitos anos, podendo o paciente falecer por complicações quando não é tratado. Existem raros exemplos de regressão espontânea da moléstia, isto é, sem terapêutica, permanecendo manchas que desaparecem lentamente.

Em todas as fases existe uma sensação de ardor e calor, o que justifica o nome “FOGO SELVAGEM”, e grande sensibilidade ao frio. Ao friccionarmos uma área de pele normal do paciente, próximo a uma lesão, frequentemente obtemos descolamento da epiderme, o que constitui um sinal (de Nikolski) de grande importância no diagnóstico, embora não seja exclusivo do Pênfigo Foliáceo. Não ocorrem lesões nas mucosas (boca, nariz, olhos), ao contrário do que sucede em um outro tipo de Pênfigo, o Pênfigo Vulgar, que é mais grave e raro, além de produzir bolhas mais profundas e dolorosas, principalmente nas dobras da pele, com lesões nas mucosas.

O PF também não acomete órgãos internos e os exames laboratoriais costumam ser normais, exceto o exame histopatológico (através da biopsia), que costuma ajudar a confirmar o diagnóstico. A maioria dos pacientes, ao procurar recursos especializados pela primeira vez, encontra-se subnutrida, o que provavelmente se constitui em fenômeno paralelo (boa parte dos doentes são de baixo poder aquisitivo), mas que certamente influi na gravidade da moléstia. O PF incide principalmente, como já foi citado, em pessoas que se dedicam ao desbravamento de áreas cobertas por matas para sua própria subsistência, ou que vivem em área ribeirinha, e são justamente as de menor poder aquisitivo que se submetem a esta tarefa.

Nestas condições, os cuidados higiênicos são bastante precários, complicando ainda mais o quadro.

TRATAMENTO: O tratamento atual do PF se baseia na administração de medicamentos corticosteroides, esquema usado com sucesso no HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO. Começa-se com uma dose elevada (de ataque), que é gradualmente reduzida após o desaparecimento das lesões, e até ser atingida a dose mínima ideal para o paciente, com a qual ele deverá continuar o tratamento em casa durante vários anos.

Além disso é realizado tratamento tópico com substâncias específicas, e Hidroterapia e sauna, o que contribui para a diminuição das crostas e acelera a cicatrização, diminuindo a infecção da pele. Gradualmente, as medicações são reduzida de acordo com a evolução de cada caso; podendo este processo durar vários anos. Todas as fases do tratamento quer sob internação ou no ambulatório, devem obrigatoriamente estar a cargo de um dermatologista. A dieta deve ser rica em proteínas vegetais e vitaminas, o que é conseguido no HOSPITAL ADVENTISTA DO PÊNFIGO através de uma dieta vegetariana balanceada, e ao mesmo tempo, saborosa. Também é necessário detectar infecções, que podem complicar frequentemente as lesões bolhosas, e tratá-las adequadamente.

Ultimamente, pa-ra satisfação nossa, tem aumentado grandemente o numero de paciente que nos procu-ram precocemente, quando ainda tem poucas lesões, o que torna o tratamento bem mais fácil, chegando a dispensar a internação. É oportuno lembrar que, no inicio das atividades do Hospital Adventista do Pênfigo, dentre as medicações tópicas citadas, usava-se exclusivamente uma pomada à base de piche e enxofre, que trazia bons resultados, mas às custas de demasiado sofrimento dos pacientes, e com o risco de desenvolver câncer cutâneo, pois os hidrocarbonetos do piche são cancerígenos e são também usados em centros de pesquisa para desenvolver câncer experimental em animais de laboratório.

Atualmente usa-se neste Hospital, uma pomada que contém hidrocarbonetos não cancerígenos e que tem uma função complementar no tratamento, embora de grande utilidade para acelerar a renovação da epiderme. Embora o prognóstico desta doença tenha melhorado tremendamente com os novos recursos de tratamento, é necessário lembrar que ela continua a ser relativamente grave, necessitando de imediatos cuidados ao se apresentar. Um diagnóstico seguro e precoce significa nestes casos, como sempre, maior probabilidade de sucesso no tratamento.

Eis que nasce um hospital geral

Com a ajuda de pessoas e entidades, foi possível a construção de um prédio com 16 apartamentos. A inauguração aconteceu no dia 20 de maio de 1982. A partir daí, o hospital abriu suas portas ao atendimento de pacientes de Clínica Geral e Cirúrgica. O nome e a estrutura física da instituição passaram por algumas modificações até chegar às atuais instalações do Hospital Adventista do Pênfigo.

Centro de Vida Saudável (CVS)

Além do consultório médico, maternidade, hospital geral e pronto atendimento 24 horas, o HAP possui um Centro de Vida Saudável (CVS), que este ano completou 20 anos. O Centro de Vida Saudável foi fundado em setembro de 1987 na gestão dos médicos Dr. João Kiefer Filho e Dr. Hélnio Judson Nogueira. O CVS é uma espécie de SPA, que auxilia as pessoas na reeducação de hábitos, principalmente alimentares. Com um programa semanal o CVS oferece tratamento para stress, depressão, ansiedade, obesidade, taxas elevadas (colesterol e triglicerídeos), diabetes e desintoxicação tabágica.

Aquisição de mais uma unidade no centro de Campo Grande


O ano de 2007 foi repleto de realizações para o HAP, como por exemplo, a aquisição de mais uma unidade. Até julho de 2007 o hospital possuía duas casas, a matriz localizada na saída para Sidrolândia e o consultório médico, situado à Rua Padre João Crippa, 1098, no centro da capital, mas em agosto do mesmo ano, com o objetivo de se aproximar mais da população Campo-Grandense, o HAP adquiriu o Hospital Maternidade Pro Matre e passou a oferecer seus serviços em três unidades. O hospital Pro Matre localizado à Rua Barão do Rio Branco 2.590, passou a se chamar Hospital Adventista do Pênfigo Unidade Centro. A Pro Matre foi fundada em Campo Grande em 1973 e começou a funcionar em dezembro de 1975. Desde então a instituição foi dirigida pelo mesmo grupo formado por nove sócios. Atualmente, além de internações obstétricas, o hospital realiza cirurgias ginecológicas, vasculares e plásticas. A área construída da instituição é de 3.350 m2.