NUTRIÇÃO NA GESTAÇÃO
 
Marquizele Spinel Nutricionista – CRN3 14199
Fone: (67) 3323-2100 - marquizele.spinel@hap.org.br
A gravidez é um período em que a mulher deve cuidar bem da sua alimentação, devido a importância para o bom desenvolvimento do feto e para a prevenção de complicações durante a gravidez e o parto. Não se deve apenas aumentar a quantidade dos alimentos, mas observar a sua qualidade, pois eles devem conter proteínas, vitaminas e minerais, e não apenas calorias extras para a mãe. Portanto, não vale o ditado de que: "a gestante deve comer dobrado".

No período da gravidez não é o momento de fazer regime, pois pode prejudicar o crescimento e a saúde do feto, mas sim de acompanhar o ganho de peso recomendado que varia de acordo com a avaliação do estado nutricional pré-gestacional. Essa avaliação é realizada por meio do Índice de Massa Corporal (IMC)-peso pré-gestacional em kilogramas dividido pela estatura em metros ao quadrado (IMC= Peso/estatura2), de acordo com a tabela abaixo.

Classificação da gestante segundo do estado nutricional pré-gestacional e ganho de peso recomendado.

Classificação IMC

Ganho de peso no 1º trimestre (kg)

Ganho de peso total recomendado (kg)

< 19,8 - baixo peso

2,3

12,5 – 18

19,8 a 26 - normal

1,6

11,5 – 16

26 a 29 - sobrepeso

0,9

7,0 – 11,5

> 29 - obesidade

---

0,6

O ganho de peso (excessivo ou insuficiente) deve ser avaliado pelo profissional de saúde e a orientação nutricional, sempre que indicada, deve ser realizada e acompanhada por nutricionista. A alimentação da gestante deve seguir as recomendações da Pirâmide Alimentar, salientando-se a importância no aumento das porções do Grupo dos Pães e do Leite, de forma individualizada.


A necessidade calórica da gestante depende, entre outros fatores, de sua idade, peso anterior à gravidez, estatura e atividade física que realiza. Em média, a alimentação diária deve conter no mínimo 2.000 kilocalorias (para as mais “gordinhas”, sedentárias, com diabetes gestacional) a 2.500 kilocalorias (para as mais magras, adolescentes ou com mais atividade física).

Necessidades nutricionais na gravidez
A quantidade de alguns nutrientes aumenta durante a gravidez, pois estes participam da formação e crescimento do feto, principalmente proteínas, cálcio, fósforo, vitamina D, ferro, vitaminas e minerais em geral.

Proteínas
As proteínas fazem parte da formação de tecidos no corpo da mãe (útero, mamas, placenta, líquido amniótico) e do crescimento e desenvolvimento do feto. Os alimentos fonte de proteínas são o leite e seus derivados, carnes (bovina, frango, peixe, fígado e miúdos), ovos e em menor proporção, as leguminosas (feijão, lentilha, soja, ervilha, grão de bico). Se a ingestão de proteína estiver adequada, então cálcio, fósforo, ferro e vitaminas do complexo B também estarão, pois estão associados às proteínas. Cada grama de proteína contém 4 kilocalorias, e deve fornecer 10-15% das calorias totais no dia. O excesso de proteína é contra indicado, pois pode sobrecarregar fígado e rins.

Carboidratos
Os carboidratos são o combustível do nosso corpo. Precisamos deles para gerar cerca de 55-60% das necessidades energéticas diárias. Cada grama de carboidrato fornece quatro kilocalorias. Porém, se ingerirmos mais calorias que as necessárias para o nosso organismo e para a formação do feto, esse excedente será transformado em tecido gorduroso para a mãe, provocando o ganho de peso excessivo. Os carboidratos podem ser divididos em dois grupos: açúcar e amido. Em cada refeição, deve haver amido para que a proteína não seja utilizada como fonte de energia.

Açúcar
O ideal é usar pouca quantidade e evitar o excesso de doces, pois podem aumentar demais a ingestão calórica e favorecer o ganho de peso excessivo. Sempre dê preferência para as frutas, como sobremesa.
Amido deve ser à base da alimentação diária. Os alimentos fonte de amido são: grãos, principalmente o arroz, alimentos feitos com farinhas (pão, bolachas, torradas, macarrão, polenta, farofa) e raízes brancas (batata, cará, mandioca, inhame). Lembre-se que estes alimentos são substitutos entre si. O ideal é consumir o amido na forma integral, como arroz integral e pão.

• Lipídios
Os lipídios fornecem bastante energia (cada grama = 9 kilocalorias), vitaminas (A, D, E e K) e ácidos graxos, que são essenciais para a formação de tecidos e hormônios. Cerca de 25-30% das calorias totais do dia devem vir dos lipídios. O ideal é escolher os lipídios mais saudáveis, de origem vegetal, com margarina light, os óleos de milho, girassol e soja, e o azeite de oliva. Os lipídios de origem animal contêm muita gordura saturada e colesterol. Deve-se evitar o uso excessivo de manteiga, creme de leite, maionese, frituras, pele de frango, carnes gordas, toucinho, bacon, lingüiça, frios (salame, mortadela, presunto).

Vitaminas e Minerais
As vitaminas e minerais fazem parte das reações químicas que ajudam no bom funcionamento do organismo. São encontrados nas carnes, leite, leguminosas, verduras, legumes e frutas. O ideal é consumir verduras e legumes na forma crua ou cozinhar com casca e pouca água, sempre muito bem lavados. É melhor comer a fruta do que fazer suco para que não se perca a fibra e parte da vitamina C.

Cálcio
O cálcio entra na formação dos ossos e dentes do feto, além da reposição e fortalecimento dos ossos e dentes maternos. Ele é encontrado principalmente no leite e seus derivados (queijos, iogurte). Deve-se consumir leite ou seus derivados pelo menos quatro vezes ao dia.

•Fósforo e Vitamina D
O fósforo e a vitamina D também são necessários para a utilização do cálcio na formação dos ossos. O fósforo é encontrado em todos os alimentos protéicos, por isso dificilmente teremos falta desse nutriente. Sempre que possível e nos horários recomendados, deve-se expor ao sol diariamente, pois assim as necessidades de vitamina D também serão satisfeitas. Uma caminhada de 20 minutos para esticar as pernas, gastar um pouco de energia e tomar um pouquinho de sol fraco também é recomendado.

• Ferro
O ferro é o responsável por evitar a anemia ferropriva. Ele se liga aos glóbulos vermelhos do sangue para carregar o oxigênio dos pulmões para todas as partes do corpo da mãe e do feto. O ferro é encontrado nas carnes em geral (especialmente no fígado) e também nas verduras de cor verde escura. O consumo de uma fruta rica em vitamina C (laranja, limão, caju, acerola) nas refeições, ajuda na melhor absorção do ferro. Evitar café ou chá, leite, queijo ou iogurte logo após as refeições, pois esses alimentos diminuem a absorção desse mineral.

• Ácido Fólico
O ácido fólico é fundamental no primeiro trimestre da gravidez, pois participa da formação do sistema nervoso do feto e sua ausência pode provocar malformações. O ácido fólico é encontrado nas hortaliças folhosas verdes (espinafre, brócolos, couve), leguminosas (ervilha, feijão, lentilha, grão de bico), frutas cítricas (laranja, mexerica), germe de trigo, pão integral, ricota, iogurte. Deve-se dar preferência para verduras e legumes crus.

• Líquidos
Os líquidos ajudam a hidratar a pele, unhas, cabelos, auxiliando também na formação de fezes macias e fáceis de evacuar. A gestante deve ingerir cerca de oito copos de líquidos por dia, de preferência nos intervalos das refeições para não dilatar demais o estômago e facilitar a ocorrência de refluxo gastroesofágico, aumentando a azia. Podem ser ingeridos na forma de sucos naturais, chás ou água.

• Fibras
Normalmente o intestino fica “preguiçoso”, principalmente no final da gestação pela posição do útero sobre o intestino e diminuição da atividade física, deve-se aumentar a ingestão de: Fibras, ou seja, verduras cruas, legumes crus, frutas (mamão, caqui mole, laranja com bagaço, mexerica, uva, abacaxi com o miolo), cereais integrais, farelo de aveia e pão integral. Líquidos, especialmente água.

• Fracionamento das refeições
Para uma melhor digestão e aproveitamento dos alimentos, eles devem ser ingeridos a cada três horas, melhorando a sensação de fome da gestante, azia e mal estar. Deve-se comer devagar e mastigar bem os alimentos.